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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Analisando Zack Snyder 2.0

Por Diogo Oliveira.Publicado originalmente no Batmania Rio. Esta matéria foi feita primeiramente para o Uarevaa, mas agora ela sofre atualizações de temas e a inserção de dois filmes: ‘Sucker Punch’ e ‘Man of Steel’.


Bem, antes que comece: sou muito fã do cara, e minha intenção aqui vai alem de falar das cenas de slow motion ou (não) dizer que ele é visionário, uma classificação genérica de Hollywood que virou chacota entre fanboys por causa da adaptação de Watchmen, filme do qual já falei, e muito, anteriormente. Mas numa Hollywood que cada dia é mais complicado vermos criações originais nas telas (apesar de que no fundo amamos ver certas franquias na telona), Snyder se sobressai com obras não só ricas visualmente, mas possuem certos pontos em comum que mostram o estilo e temas que o diretor gosta de abordar,e faz isso muito bem, obrigado, e digo além, o torna o Sam Peckimpah Nerd.

Alem do fato de trazer certas historias e gêneros de volta a ativa, não só ajudando a tornar as adaptações em quadrinhos mais adultas mas também como um dos responsáveis pelo BOOM dos zumbis nesta ultima década, tirando até George Romero da aposentadoria. Um diretor que, como a maioria de sua geração, é influenciada não só pelos filmes, mas por toda uma bagagem de cultura pop constantemente crescente, além de uma noção artística forte, mas sem esquecer a historia. Agora siga abaixo para ver os pontos tratados nos filmes dele, e fique de olho quando a sequencia de ‘Man of Steel’ com o Batman sair.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Palavras a 100 p/hora: Before Watchmen


E aconteceu. A DC decidiu ter bolas roxas e trazer a tona, depois de muitos boatos, notícias e confirmações não oficias que sim, o legado que Alan Moore e Dave Gibbons vai estar vivo na nova etapa que a editora está passando, com o anuncio de 'Before Watchmen', uma series de 7 prequels contando histórias que aconteceram em algum momento do passado dentro do clássico oitentista. Ao dessenterrar o "Palavras a 100 p/hora", vou falar sobre o que eu acho do lançamento disto, da reação (já esperada) de Alan Moore e dos leitores em geral,e minha opinião sobre tudo isso e sobre o que as pessoas esperam de quadrinhos de super herói em geral.

Bem, antes de tudo vamos retroceder ao começo de tudo. Sim, a ideia de haver prequels de Watchmen não é uma ideia nova, e muito menos veio de gente querendo grana (mais ou menos falando), primeiramente veio de Alan Moore durante os anos 80, algum tempo depois que a publicação original de Watchmen foi feita.Só que o que aconteceu: Allan Moore queria os direitos da revista de volta, e isso numa época que nem encadernados e nem adaptações para outras mídias era algo tão recorrente quanto hoje em dia.O contrato original dava a Moore e Gibbons uma porcentagens das vendas sobre a mídia impressa, enquanto a DC tinha os direitos sobre a história e personagens, incluindo sua exploração em outras mídias. Nem Moore nem Gibbons queriam um contrato de trabalho, então este trato foi feito,sendo que a regra era se a DC não publicasse Watchmen durante um ano,os direitos voltariam ao escritor.Só que, como o tempo é testemunha, a DC continuou publicando edições de Watchmen nos mais diversos formatos, e após a briga, novamente, sobre os direitos de V de Vingança, da qual foi a razão de Moore cortar as relações de vez com a DC.


No final dos anos 90, dois acontecimentos reacenderam a discussão sobre a revista.Watchmen estava fazendo 15 anos de vida e a DC compra a editora de Jim Lee e um dos tentáculos da Image, Wildstorm, da qual Moore estava trabalhando.Ou contratos de Moore tiveram que se refeitos durante a transferência para a DC, cortando qualquer ligação do escritor com a editora, tendo suas histórias sendo publicadas pelo selo America's Best Comics.Com a volta indireta pra DC, Moore também voltou para ter os direitos de Watchmen de volta, que gerou nos seus 15 anos de vida o cancelamento da linha de Action Figures (que chegou a aparecer em algumas Comic Cons da vida) a fim de manter a relação com escritor mais amenizada.mas o que aconteceu é que Paul Levitz(editor chefe da DC na época) meteu o dedo durante uma das edições de 'A Liga Extraordinária' por causa de uma citação mais explicita a editora concorrente Marvel, além dos processos por causa do filme da Liga Extraordinária, fizeram Moore se desligar de vez da editora e de tudo que tinha feito nela.

Uma das grandes discussões sobre Before Watchmen acabou sendo quem pertence a obra, criativamente falando.Pertence a editora, que pode explorar aquilo do jeito que quiser, pertence ao artista que pode decidir ou não como deve ser explorado aquilo? Bem, se você for considerar o aspecto jurídico da coisa, Watchmen pertence a DC, e ela pode dar direitos de explorar a franquia como quiser, seja filmes, games, bonequinhos ou até mesmo numa sequência. Mas se for pro aspecto criativo da coisa, Moore na verdade não possui o direito completo e absoluto sobre Wacthmen, mas sim faz parte de um legado muito mai velho do que ele, do qual no fim das contas Moore ( e Gibbons) tem um importante, porem pequeno, naquilo tudo que foi construído.


O porquês disso tudo que eu disse no ultimo paragrafo? Porque os quadrinhos de super-heróis, HQs mainstream, seja a forma que for que vocês a chamem,sobrevivem a partir disto, de constante recriação e "reciclagem" e idéias pra que eles mantenham frescas, que façam surgir ideias realmente novas, e principalmente, que mantenha constante o contato com seu publico, e que faça gerar mais publico.Ou seja, o cara que sabe toda a cronologia da DC Pós-Crise de cabeça e pode descrever em detalhes como e quantas vezes a Jean Grey morreu podem ser o sustentáculo de toda a industria, mas pra quem vende é interessante também trazer sangue fresco a piramide da industria.


E agora sendo extremamente pessoal, hoje em dia as pessoas tem uma visão muito errada sobre sobre os chamados "quadrinhos de super herói", porque a maioria das pessoas acusa de só ter lixo envolvido.Na verdade, esse tipo de quadrinho tem uma formula de ser feito, e tem que ser feito desse jeito, para gerar excitação ao ler, escapismo de qualidade.Muitos falam como se nunca tivesse coisas ruins também na década de 70 e 80, e como não tivesse coisas boas nas ultimas duas décadas.Há uma linha tênue que transforma esse formula em algo genial ou algo que acaba descaracterizando o personagem. Se no fim da contas a pessoa segue essa formula, a história será boa ou ruim dependendo de seu talento como storyteller e do que a editora pede.Apoio 100% que deve se ter mais espaço pros quadrinhos independentes,e eles merecem ser lidos, mas tratar aquilo que está enraizado para nós como sendo "quadrinhos básico" como lixo só porque não é o tipo de história que você quer ler e fingir não entender como aquilo funciona, é imaturidade.


E colocando aqui como prova que esse jeito de criar histórias predomina nas HQs, vamos pegar o próprio Alan Moore como exemplo.Ele citou Moby Dick durante sua entrevista sobre 'Before Watchmen' que nunca o escritor original faria uma sequência.Mas isso não significa que não possa haver reinterpretações e reinvenções de se trabalhar com esse personagens, ou outros. Afinal, Liga Extraordinária e Lost Girls não é nada mais que pegar personagens já existentes e criar novas histórias com eles, mesmo esses personagens tendo uma parcela de fãs que não queria que trabalhem nisso da maneira que ele faz.Então, de certo modo, toda a justificativa de Alan Moore vai por água abaixo, já que na prática ele faz aquilo que teoricamente deveria rejeitar.Citanto Peter David, enquanto falava sobre o assunto que estamos comentando: " Só por que uma corporação teve a ideia, ao invés de um único indivíduo, faz com que a ideia seja inferir? É um argumento ruim, considerando o fato de que a corporação quer usar uma propriedade que está em suas mãos." E mesmo assim, varias obras icônicas de várias mídias passam por inúmeros processos de recriação e homenagens por aí, e nem por isso a força do original foi diminuída.Quer um exemplo? Vá procurar no Google imagens da Mona Lisa, tem de imagens engraçadas a artes tão boas, porém de estilo diferentes, da original.Alan Moore ainda é o melhor escritor de literatura vivo, só pegar qualquer coisa que ele escreve hoje em dia e ver, mas em relação a sua situação com a DC, se tropeça em sua própria raiva.


Bem, mas no fim da contas, porque existir Before Watchmen? Primeiro: alguns parágrafos atrás falei sobre que pertencia Watchmen (ou qualquer história) de fato.No fim das contas pertence ao publico.Segundo: voltando aos parágrafos atrás, a industria de quadrinhos se baseia na recriação/reciclagem/reinvenção/reintrodução e velhos conceitos, e de novos, dentro e fora do ambiente de HQ, na tentativa de não somente manter os velhos leitores interessados, mas em especial de atrair novos leitores pra suas trincheiras.Ou seja, se vai sair os prequels do Watchmen, porque haverá uma demanda, seja de leitores velhos ou novos, para isso, assim também como possibilidades de explorar em outras áreas não só na intenção de "atrair mais dinheiro", mas também atrair mais leitores.


Fora da mídia de quadrinhos, Watchmen já teve sua prequel, o game "The End is Nigh", escrito por Lee Wein.E graças ao filme, Watchmen se tornou a graphic novel mai vendida no mercado americano por mais de 1 ano, desde o surgimento de seu teaser trailer até um tempo após do lançamento do filme.E apesar do filme não ter passado na faixa de 200 milhões em bilheterias (afinal ele foi um blokbuster de verão com faixa etária18 anos, algo completamente atípico nesses dia), fez sucesso entre o publico e teve bons números em home video.



Bem, esse texto foi escrito por mim afim de mostrar que, comercialmente falando, os prequels eram inevitáveis.Como muitos podem interpretar errado aqui, não estou falando que 'Before Watchmen' será bom, mas que merece o benefício da duvida, mesmo que tenho certeza que muito vão olhar e resenhar já com ódio pré estabelecido essas HQs.Pessoalmente, apesar das inevitáveis ligações com a obra original, acho deve funcionar de maneira mais independente, seja para velhos e novos leitores, ou seja, as conexões só vão existir se você quiser que elas existam.Quando ela sair no meio do ano saberemos realmente o que esperar disso tudo.Novamente citando Peter David: "Pra mim, o anúncio da DC simplesmente significa que o trabalho de Alan Moore alcançou o status de “icônico”, tanto quanto Superman e o Monstro do Pântano".


Watchmen ainda é uma obra relevante, e merece ser respeitada, mas para nenhuma obra de arte faz bem ser "canonizada". É só pegar Superman por exemplo. Mas mesmo assim, pelo fato que vão fazer outras coisas com o "canône", não significa que ele vai ser destruído de vez.The Dark Knight Strikes again não fez todos nunca mais lerem The Dark Knight Returns.O tempo vai ser o grande juiz acerca de Before Watchmen, mais que a mídia especializada, mais que os fãs.Porque o que é canônico é feito para durar, seja lá o que o atinja.E acho que esse vai sr o grande desafio, além de enfrentar "A Igreja" de fãs.Se for mexer com algo no passado e trazer de volta anosos dias, ele tem que ser relevante para quem assiste na época.Eu acho que o filme fez isso sem se distanciar muito do fato que é baseado em algo escrito na década de 80, e as equipes criativas de BW sabem que essa é a chave para fazer Watchmen funcionar, de novo. Ela não tem que ser uma referenciação do que foi feito antes, mas tem que se mostrar tão importante dela existir hoje em dia quanto o primeiro existiu lá nos anos 80.


Pra acabar a matéria, digo que estamos numa revolução.O resultado de tudo isso pode ser enterrado com o tempo,caso for ruim, ou se perpetuar e permanecer como algo tão bom quanto o original.Ou o mais provável, que, assim como o filme, ele precise de tempo para entender o que foi feito.Mas pra mim, o que interessa não é o que acontece por detrás da cortina, mas se a historia será boa e relevante nesses dias. Isso vai acontecer e será inevitável, e pelo menos fará a tentativa de ser bom (diferente de DK2, que foi quando começamos a perceber que Frank Miler estava louco). Deixo abaixo algumas frase da equipe criativa para reflexão:

Lee Bermejo: O mais importante é que tudo esteja reunido para nós contarmos as melhores histórias possíveis e reconectar esses personagens.Já se passaram 25 anos, vamos fazer isso ser vital de novo.

Dave Gibbons: A serie original de Watchmen era algo que eu e Gibbons queríamos fazer.Entretanto, eu entendo e apoio a inciativa da DC de fazer essa homenagem ao nosso trabalho, e desejo sorte a equipes criativas envolvidas>talvez essas novas revistas tenham o sucesso desejado.

Zack Snyder: Para os fãs de quadrinhos, é uma obra de arte, que definiu com que se pode fazer com os quadrinhos, se você quiser voltar atrás para isso, terá de fazer por sua conta e risco.Voltar a trabalhar com isso (Watchmen) seria algo duro de se fazer, e o desafia é acrescentar algo que seja certo aquilo feito, ou senão as pessoas vão a loucura.

Darwin Cooke: Eu disse não de cara na primeira vez que me chamaram, porque não pensaria em criar qualquer história que destruiria o que o original construiu, e francamente isso iria acontecer naquela altura do campeonato. Além disso, isso atrairia uma certa atenção da qual eu não gostaria.Mas o que aconteceu é que, meses depois do meu "não" ser dito, é que uma história veio a minha cabeça e pareceu funcionar foi ai que fiquei empolgado em fazer a história de fato.

Brian Azzarelo: A reação instintiva ao projeto é 'por quê?'. Mas quando as séries saírem mesmo, a resposta vai ser: 'Ah, por isso.'

John Higgins: O desafio é fazer estas histórias serem moderna e relevantes para 2012 e o que pode ser feito com respeito e consideração como material original que vem influenciado tantas pessoas durante esses anos, mas adicionando algo a isso, não depreciando.

J. Michael Straczynski: A questão é: "Por que fazer qualquer coisa com base em algo que foi bem feito?" É estranhamente contra-intuitiva: os personagens são ótimos, o mundo é fantástico, nós criamos algo maravilhoso aqui, por isso, Deus - vamos nunca faça isso de novo. Fuja!

Um monte de gente acha que esses personagens não devem ser tocados por qualquer outra pessoa a não ser Alan, e enquanto isso é absolutamente compreensível em um nível emocional, é profundamente falho em um nível lógico. Baseado em durabilidade e reconhecimento, então eu poderia fazer o argumento de que Superman é o maior personagem de quadrinhos já criados. Mas nem Alan nem ninguém jamais sugeriu que ninguém além de Shuster e Siegel deve escrever Superman. Alan aceitou escrever Monstro do Pântano, um personagem de quadrinhos criado por Len Wein, e fez um ótimo trabalho. Ele não disse "Não, não, eu não posso, que é personagem de Len". Nem deve ter.

Mais uma vez: em um nível emocional, eu entendo. Mas por isso mesmo, Alan passou a maior parte da última década a escrever algumas histórias muito, muito boas sobre personagens criados por outros escritores, incluindo Alice (do País das Maravilhas), Dorothy (de Oz), Wendy (de Peter Pan), bem como o Capitão Nemo, o Homem Invisível, Jekyll e Hyde e Professor Moriarty. Eu acho que se perde um pouco de moral,já que ele diz: "Sou capaz de escrever personagens criados por Jules Verne, HG Wells, Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle e Baum Frank, mas é errado para qualquer outra pessoa para escrever um dos meus personagens."

A falta de sua bênção tem nenhum impacto mais sobre o processo atual de contar histórias do que seria o caso se tivéssemos as suas bênçãos. A história tem que sustentar em seu próprio eixo. Uma história de baixa qualidade não seria ajudado por ter suas bênçãos, e uma boa história não se torna melhor por isso. Seria legal? Claro. Eu adoraria. Mais uma vez, sempre fui um grande fã do trabalho de Alan. Voltando no tempo, quando eu trabalhava no "The New Twilight Zone", eu o segui e, depois de fazer o impossível para encontra-lo, conseguiu conversar com ele no telefone para perguntar se ele por favor considere escrever um episódio pra série. (Ele disse que não.) Alan é o melhor de nós. Eu já disse várias vezes, online e em convenções, que em uma escala de 1-10, Alan é um 10 explodindo. Eu não só disse que, mais importante, eu sempre acreditei nisso.

Por hoje acabou, até a próxima!

terça-feira, 29 de março de 2011

CinemaScope: Analizando Zack Snyder

Publicado originalmente em: http://www.uarevaa.com/2011/03/cinemascope-analizando-zack-snyder.html



Com a chegada de Sucker Punch nos cinemas e A Lenda dos Guardiões em DVD e Blu Ray, o Cinemascope de hoje vai falar sobre Zack Snyder. Pra quem espera só slow motions e ”visionárias” classificações, vai ver muito mais do que isso abaixo.


Bem, antes que comece: sou muito fã do cara, e minha intenção aqui vai alem de falar das cenas de slow motion ou (não) dizer que ele é visionário, uma classificação genérica de Hollywood que virou chacota entre fanboys por causa da adaptação de Watchmen, filme do qual já falei, e muito, anteriormente. Mas numa Hollywood que cada dia é mais complicado vermos criações originais nas telas (apesar de que no fundo amamos ver certas franquias na telona), Snyder se sobressai com obras não só ricas visualmente, mas que em certos pontos em comum mostram o estilo e temas que o diretor gosta de abordar,e faz isso muito bem, obrigado.


Alem do fato de trazer certas historias e gêneros de volta a ativa, não só ajudando a tornar as adaptações em quadrinhos mais adultas mas também como um dos responsáveis pelo BOOM dos zumbis nesta ultima década, tirando até George Romero da aposentadoria. Um diretor que, como a maioria de sua geração, é influenciada não só pelos filmes, mas por toda uma bagagem de cultura pop constantemente crescente, além de uma noção artística forte, mas sem esquecer a historia.

Slow Motioooooooooooooon

Uma das marcas mais reconhecíveis do diretor é o slow motion. Como ele foi durante boa parte da sua carreira um diretor de comercias, então esse é um recurso que funcionava para a Tv. Mas no cinema é que ela teve sua utilização expandida, e em cada filme com um motivo diferente. No 'Madrugada dos Mortos' era para aumentar a tensão em certos momentos, quase nunca usado durante o filme inteiro.

Mas foi em 300 que ele achou um uso exato para a técnica, no caso para deixar viva as cenas pintadas por Frank Miller.


E em certas cenas ele usa para também tornar rítmica e multi-dimensional a própria arte grega em si, já que pinturas em vasos eram utilizados não só para enfeite, mas também para contar historias, qual foi transposto no filme na primeira batalha dos 300 contra os Persas, quando Leônidas derruba vários soldados em closes sem cortes.


Em Watchmen novamente a técnica é utilizada para dar vida a quadros e momentos icônicos da HQ, transpondo em sensações visuais aquilo que os olhos percorrem quando a gente vê as imagens.


Mas só foi em A Lenda dos Guardiões onde a técnica se uniu a idéias do roteiro. Se no caso estamos mostrando a trama do herói, num mundo onde as historias são passadas por via oral e especialmente por imagens, especialmente entre os mais jovens, os momentos em slow motion são usados como aqueles que serão repassados para as futuras gerações (e entre os espectadores) como os momentos marcantes daquela historia, como uma pintura explicando sobre um fato ou acontecimento.



Testemunhas da História

Algo comum nos filmes de Zack Snyder é que a trama não se passa em um momento qualquer, ou em um cenário isolado. Dentro daquele mundo, o que acontece são momentos históricos importantes, e seus personagens, se não fazem parte diretamente dos eventos como modificadores, acompanham tudo como espectadores.

No começo, temos o grupo de sobreviventes de Madrugada dos Mortos tendo como única comunicação com o que acontece fora do shopping via TV, e é a partir dela que eles se informam sobre como matar os zumbis, e os diferentes pontos de vista das pessoas e como isso os influência, do ponto de vista moral, religioso e político. As formas de comunicação são tão importantes que nos extras deste filme temos o vlog de Andy (Bruce Bohne) e num apanhado de um noticiado local para aumentar não só a sensação que aquilo é real, mas de fato explorar aquele mundo e transformar aquilo num documento histórico.



Pulando para Watchmen, numa época onde a propaganda viral aumentou e muito, temos não só amostras jornalísticas daquele mundo dentro e fora do filme, mas também uma noção de como aquela sociedade se comporta, seja com o game 8-bits dos Minuteman, seja com o site oficial das Industrias Veidt, ou do jornal New Frontier. Dentro de Watchmen (como filme), temos duas fontes de noticias: uma mais singela, pelos jornais (em papel ou televisivos) com informações sobre como a guerra anda, além de pequenas informações extras sobre a influências dos heróis naquele mundo, seja na entrevista de Veidt a revistas, ou livro/documentário Under The Hood e na cena de abertura. No caso, a banca de jornal de Bernie faz o papel dentro do filme de mostrar as reações do homem comum dos que os heróis fazem no dia a dia.



Em '300' e 'Lenda dos Guardiões', não temos TVs e jornais, mas livros e especialmente o papel de contadores de historias. Temos em Dilios (David Wenham) a responsabilidade de não só contar a historia para s tropas e o governo, mas também ser a voz de inspiração para que a vitória seja garantida.O bacana na HQ, e que foi bem mostrado bem no filme, é que por ser uma historia narrada para animar as tropas, você nunca sabe de fato o que é real e imaginário no filme, mas no momento que ela é contada e vivida/vista pelos guerreiros/publico, ela se torna real e oficial.



Em 'A Lenda dos Guardiões', por se passar em um mundo medieval (e habitado por corujas) a maioria das historias são contadas de pai para filho,e utilizando muito desenhos e outras imagens visuais para isso. Ezylryb (Geoffrey Rush), que já foi herói de guerra e hoje em dia cuida da biblioteca histórica do mundo e da ordem dom qual pertence, é outro exemplo de personagem comunicador-modificador dentro dos filmes de Snyder.


Sua participação além de mestre e guerreiro, e também ser a prova viva daquela historia, que diferente de '300', quebra a expectativas não só do herói principal mas do publico quanto a veracidade dos fatos e a capacidade dele fazer as coisas descritas. No caso Ezylryb não só um representante daqueles acontecimentos, mas a ultima chama de um movimento com sobrevida, e vê nas novas gerações uma oportunidade de voltar aos tempos de glória.

O(s) caminho(s) do(s) herói(s)

Também uma presença constante nos filmes do cara é a presença do arquétipo de herói, seja ele usando collant ou não. No caso ele explorou varias facetas do que significa ser um herói,e dentro delas é apresentada algo que esses heróis tem que estar preparados: o sacrifício deles, ou dos outros, para um bem maior. No caso, as facetas e sacrifícios são mostrados melhor nos 3 primeiros filmes do diretor, já que A Lenda dos Guardiões mexe mais com os princípios básicos do herói e sua jornada.

No caso de Madrugada dos Mortos e sua mini sociedade forçada, os heróis principais são Ana (Sarah Polley) e Michael (Jake Webber), que dentro da mini-sociedade forçada que vivem, são os que tem a voz de comando ali dentro, entre egoístas, ignorantes e pessoas amedrontadas. Eles no caso são as vozes da razão, que busca fazer que cada um faça o necessário para sobreviver. No caso eles começam a ter um romance, no qual no momento de resgate Michael é mordido para que Ana e os poucos sobreviventes possam chegar até o mar, onde teoricamente a liberdade estaria presente.


No caso, para não se tornar aquilo que se enfrenta, Michael se mata, mas garante a salvação dos outros, assim como CJ (Michael Kelly) , que via na responsabilidade de segurança do Shopping de manter aquilo seguro para dar desculpa de seu próprio isolamento, e depois por questões de sobrevivência, finalmente começa a fazer seu trabalho pra valer, assim como Kenneth (Ving Rhames), o policial egoísta que ao compreender que existem coisas piores que a morte, passa a se tornar a pessoa de confiança do grupo, além de estrategista.



Heróis que se sacrificam ao extremo por um ideal também são apresentados em 300, mas diferente do homem comum que precisa ir além da suas capacidades. Os soldados de Esparta são treinados para fazerem e serem os melhores e morrer em batalha se possível, impedindo assim que o exercito de Xerxes (Rodrigo Santoro) avance as terras gregas e dando tempo até que a rainha Gorgo (Lena Headey) possa convencer seu governo a preparar o exercito e ir a guerra. Gorgo também é uma heroína dentro do filme, já que busca correr atrás daquilo que o governo de Esparta, manipulado por Theron (Dominic West), saia e faça do sacrifico de poucos a força de muitos.



Em Watchmen, baseado numa HQ que já vem com a ideia de desconstrução dos super heróis conhecidos, mostra os extremos e humaniza no os tipos de personagens que a anos nós acompanhamos. No caso do filme é interessante citar Ozymandias (Matthew Goode), onde muito de sua personalidade foi misturada a do Capitão Metropole, onde além, de termos um homem com uma visão futurista para a humanidade, vendo possibilidades de um mundo livre da dependência do petróleo (e de poder controlado) decide começar uma grande estratégia onde usa o praticamente Deus Dr Manhatthan (Billy Crudup) como aquilo que aos olhos do governo ele sempre foi: uma arma. Como o Comediante disse uma vez, foi mostrando o horror da guerra nuclear aos humanos, mesmo ao custo de milhares de vidas, que Adrian Veidt e de certa maneira os super heróis, salvaram a humanidade, evidenciado pela parte quando a conversa entre Adrian e o Doutor acontece no fim do filme “Graças a você eu consegui salvar o mundo” e quando logo após ele fala” Nós conseguimos” a câmera muda de ângulo mostrando todos os heróis presentes, mostrando que no fim das contas o plano do cara se concretizou: os heróis salvaram o mundo .



Em A Lenda dos Guardiões, temos um exemplo de bom trabalho feito com a clássica “jornada do herói”, onde temos Soren (voz de Jim Sturgess), posto em uma situação onde ele é a única esperança do mundo onde vive, e que terá de encontrar os Guardiões de Ga’Hoole para ajudá-lo a enfrentar “os Puros”. Ele vai conhecendo outras aves pelo caminho que o ajudaram a formar sua equipe de batalha e todos com classificações bem definidas dentro dela.


O que o futuro lhe/nos reserva
Bem, nos próximos trabalhos do cara, a maioria desses sem data pra sair e nem todos dirigidos por ele, temos (de acordo com o IMDB):

Army of Dead: filme do qual ele escreveu e produzirá, sobre um pai que quer salvar a filha que está numa Las Vegas dominadas por zumbis, acompanhados de bandidos que querem saquear a grana dos cassinos.

Heavy Metal: Adaptação da revista Cult de ficção cientifica, dirigirá uma das esquetes do filme, junto com gente do gabarito de David Fincher, Gore Verbinski , James Cameron e Riddley Scott.

Cobalt 60: outra adaptação de HQs, dessa vez uma historia underground de vingança e vigilantismo num mundo de mutações. Você pode saber mais sobre ela aqui.

The Illustrated Man: remake do filme de 1969 que junta micro-historias do escritor Ray Bradbury, criador de clássicos como As Crônicas Marcianas e Fahrenheit 451.

The Last Photograph: baseado na trama criado por Zack Snyder, fala sobre dois homens e o fotografo que os resgatou durante o Afeganistão infestado pela guerra.

Illusions-The Adventures of a Reluctant Messiah : baseado no livro de Richard Bach. Usado como metáfora pelo escritor pelo sucesso que fazia,a historia mostra dois homens que se encontram no meio do deserto e começam a discutir e relembrar o que eles fazem de suas vidas e de como as mentiras do mundo servem para nos reconfortar.Ou algo do tipo.

Superman The Man of Steel: Preciso mesmo falar alguma coisa sobre isso? Novo filme do Homem de Aço que tentará trazer o personagem de volta ao mainstream.

Bem, acabei por hoje. Meu review de Sucker Punch deve sair no começo da semana, porque no próximo CinemaScope teremos o clássico filme alemão e pai de toda ficção cientifica no cinema METROPOLIS: Versão Estendida e Restaurada!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

5 contra 1: Os mais importantes filmes da DC Comics nesta década



Os anos 2000 foram especias para quem curte quadrinhos.Por uma mistura de novidade, aceitação e uma suposta "falta" de competência de Hollywood de criar coisas novas, as adaptação das revistas de quadrinhos se tornaram bastante populares.E finalmente, depois de anos a DC tomou vergonha na cara e , BEM aos poucos trouxe alguns dos melhores filmes de quadrinhos da década, apesar de entrar na briga de cachorro grande de fato só a partir de 2011 com Lanterna Verde. Vamos aos mais importantes filmes da DC entre 2000-2010(porque aqui o que está contando não é só qualidade, mas porque eles serão lembrados)

5- Liga da Justiça: A Nova Fronteira
Depois do sucesso dos desenhos d'Os Supremos, a DC veio com a DC universe pra mostrar como se faz animação de qualidade. Apesar de que só veio mostrar seu poder de fato com a adaptação da revista de Darwin Cooke "A Nova fronteira" que conseguiu adaptar bem os mais importantes temas da HQ em um desenhos para adultos e que surpreendeu (pelo menos pra mim) até os mais antigos leitores por causa da até então ousadia de amadurecer sem perder a diversão e a fidelidade.

4- Mulher Maravilha
Convenhamos, hoje em dia, infelizmente, a Mulher Maravilha não é muito respeitada, e gostando ou não as mudanças que Strazass até então estava fazendo com a moça está ajudando a personagem olhar pro futuro pegando os elementos que fazer Diana ser aquela que está no mesmo nivel que Batman e Superman. E o filme animado da personagem é perfeito no sentido que o unico defeito é que não é um longa live action.Você tem uma trama bacana, uma ação foda, elenco afiadissimo e uma das mais perfeitas transições da personagem em outra midia.

3- Watchmen
Sim, só por ela ter acontecido já merece por direito de estar neste Top 5.Um filme do qual ainda é discutindo varios tópicos: se foi bom ou não tê-lo, se presteou ou não, se foi o filme certo na hora errada ou ao contrário.Pra mim não é um dos mais importantes mas também uma das melhores ADAPTAÇÕES já feitas.Falei melhor sobre ele no meu mega-review, do qual você pode ler aqui.
2- Batman Begins
Sim, vocês devem estar se perguntando porque não coloquei The Dark Knight aqui.P or um motivo simples.TDK é (uma ótima) consequência do que foi implantado não só no cinema mas também nas adaptações de Hq, em especial das DC Comics.Trouxe a ideia (obvia) que você pode ser fiel, profundo e também colocar sua visão e ideias num conjunto que gere um resultado foda. Muitas tentaram seguir por esse caminho, poucos conseguiram, e se temos a possibilidade de outros filmes da editora além de Superman e do próprio Batman, agradeça ao Sr Nolan e cia. Leia meu especial de 5 anos do filme aqui.

1- Superman Returns
Sim, escolhi o retorno do Homem de Aço pra esta posição. Muita gente fala bem (sou uma delas) ,muita gente fala mal, e o não-tão-sucesso assim da pelicula levou a grande pergunta do século: o Superman é um personagem que dá pra encaixar no seculo 21? Resposta que Geoff Johns, James Robinson e muitas outras pessoas da ótima equipe criativa tentam reposnder nos quadrinhos e que Zack Snyder, David Goyer e Christopher Nolan tentará responder no filme The Man of Steel.

Bem, acabamos por hoje.Os proximos "5 contra 1" vão ser "Porque filmes da Vertigo são fodas" e Os mais importantes filmes da Marvel" nesta década". E vocês podem ver trailers dos filmes acima e de muitos outros da DC Comics na minha página do Youtube.Inté!

sábado, 11 de setembro de 2010

Veja artes conceituas de Watchmen por Paul Greengrass!



Bem, muito de vocês nem tocam mais no assunto, mas Wachtmen, a obra maxima das HQs, virou filme...E ninguem morreu por isso, ou queimaram todas a HQs originais e escolheram o filme como seu novo deus,guia e mestre. È um filme polêmico em muitos niveis, gerou reações adversas, boatos que não vai dar em nada, e reclamações do Alan Moore que fazem tudo parecer um programa da Sonia Abrão.Bem, na humilde opinião desse escriba se sair um Watchmen 2,vai ser tão esquecivel quando DK2, e sim, achei o filme uma puta adaptação (como você pode relembrar aqui), mas o fato é: não importa quem e como seria feito o filme do Wathcmen, haveria reclamações. E antes de Zack Snyder assumir o projeto, Paul Greengrass era o diretor, e sua intenção era situar o filme nos dias de hoje, mostrando Guerra do Iraque, Bush, a era Reagan, etc.O projeto não chegou a sair, mas as artes concetuais, muitas delas sobre cenários, chegaram esse fim de semana na net, conferem aí:












E lembrete, nessa versão também tinha a explosão nuclear, ouseja, nada de Squid... Até a proxima povo!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Review de Watchmen Ultimate Edition e Extras do DVD Duplo BR

Publicado originalmente em: http://www.uarevaa.com/2009/12/watchmen-ultimate-edition-e-extras-do.html


Sim! Vocês devem estar me xingando loucamente “má pourra Batíma, outro review de Watchmen por aqui?” E sim,é outro review sobre o filme,mas dessa vez é sobre a versão estendida, com suas gloriosas 3 horas e 35 minutos (por aí).Mas como sou um garoto bonzinho, também comprei para minha coleção o DVD duplo do filme e comentarei sobre os extras com vocês.Então continue a leitura e preparem-se para Vigiar os Vigilantes pela ultima vez no ano!


Anteriormente,na ultima edição...
Bem, se você é fã de quadrinhos, não preciso lhe explicar sobre o que se trata certo? Mas para os leigos,vai aí um resumo de tudo:Edward Blake, O Comediante, é morto em seu apartamento e o vigilante fora da lei Roscharsch vai investigar seu assassinato. Ao percorrer da trama, desvenda-se uma trama muito maior, que pode envolver a maior trapaça da historia da humanidade.Mostrando como seria se os heróis das revistas realmente existissem no mundo real, com sexo, sangue e heroísmo, Watchmen se consagra não só como uma revolução em seu gênero, mas como um marco na literatura.

Bem, e em relação ao filme? O que muitos consideravam infilmavel foi feito, depois de mais de uma década de planejamento, um quase lançamento pela Paramont em 2006, e muitas,muitas idéias ruins, como Walter Kovacs caipira, viagens do tempo sem pé nem cabeça, e heróis anti-terroristas na década atual.
Logo do filme em 2006,com Paul Greengrass na direção

Depois do surpreendente sucesso de 300, Zack Snyder, que já havia “brincado de Deus” fazendo o surpreendentemente ótimo remake de Madrugada dos Mortos, decidiu arriscar sua pele e sua vida mexendo com os fanboys errados assumindo a direção do filme. Jogando todas as idéias anteriores no lixo (er..quase todos,hehe) e fazendo algo que fosse mais igual a HQ e sua idéia original, ele teve total liberdade pra fazer o filme.

Enquanto isso, o aspecto positivo é que as pessoas voltaram a discutir (calorosamente demais) a graphic novel e seus conceitos,enquanto o mimimi de praxe aumentava em proporções gigantescas.Claro, sempre há os fãs mais ardorosos, que mesmo na merda ou no alto do pódio, sempre vão estar ao lado do Snyder, como alguém que conhecemos...

As escolhas de elenco são feitas,fotos divulgadas,e depois o baque: The Squid, ou PussyAlien ou carinhosamente chamado aqui no Brasil de “Alien com cara de Xota” não iria estar no filme,o que indagou a grande duvida no coração de todos sem vida social “Má pourra Batimá,vão gravar tudo e mudar o final?Que merda!”


Enfim,o filme saiu e se você foi no cinema pensando em ver um filme de quase 4 horas contando tudo exatamente como no filme, me desculpe, mas você agiu que nem um IDIOTA. Ou se fez passar por um, já que esqueceu o fator de que alem dos nerds e leitores de HQ em geral, há também o resto do publico pagante, que não necessariamente lê quadrinhos, e que também não curte pensar muito, mas que pode dar a chance disso caso o produto mostrado for interessante (ou não,vide Prepúcio...). Apesar de achar isso idiotice, porque se o filme é bom, o povo vai assistir de qualquer maneira, independente de qual seja sua duração.Mancada da Warner...

O filme em si
A versão lançada no cinema tem 2 horas e 40 minutos,aproximado,e trouxe vários cortes em relação ao que seria lançado anteriormente (que acabou virando o Director’s Cut,a versão com cenas estendidas mas sem Contos do Cargueiro Negro). Bem, foi um resultado mais ou menos satisfatório, me termos de bilheteria, por ter rendido alguma coisa,mas não os 200 milhões esperados dentro dos EUAsis para um filme de faixa etária 18 anos, coisa que a nossa cultura quase não permite mais lançar mais no cinema.E em termos de qualidade? Deixo a seu critério, porque é meio difícil definir, já que alguns endeusaram, outros queriam queimar o “visionário” diretor a fogueira por ter “cagado” o original.Francamente,achei um bom filme,mesmo com os inúmeros cortes que deixariam o filme melhor em vários aspectos, alem de melhorar o jeito de que certas idéias foram mostradas na tela(Coisa da qual a versão estendida corrige muito bem).


A musica ali tem papel muito importante no sentido de fazer funcionar aquelas pequenas coisas implícitas na HQ.Por exemplo:“A linha foi traçada e a maldição começa” quando Kennedy é assassinato pelo Comediante, “seus filhos estão fora do seu controle” quando jovens adolescentes hippies são assassinados pelos soldados do governo,e “vocês não podem criticar o que não entender” na cena de morte as Silhouette.Ou como a musica do Jimi Hendrix,que praticamente narra tudo o que acontece na tela de forma que explode a cabeça de qualquer um de tão legal que é.No geral,tanto o visual,que remete alguns filmes clássicos,quanto a musica,quanto as informações visuais(sobre a trama ou sobre aquele mundo em si) ajudar a ampliar os horizontes do filme da mesma maneira que é feita no original.

E em relação ao elenco?
Vamos por partes, falando sobre os principais e mais importantes personagem para a trama:

Comediante: Quem não acompanhava Supernatural (que nem eu) descobriu um achado com Jeffrey Dean Morgan. Consegue, como na HQ, ser um filho da puta com um sorriso no rosto, mas ser simpático o suficiente para que você não o odeie. De cara você não percebe o quão bom ele é, a dica está nos detalhes, como a cara de “You fucking kidding with me,right?” quando o Coruja diz que não se deve beber durante as reuniões.





Roscharsch:A grande surpresa do filme,de fato foi Jackie Earle Harley.Anteriormente conhecido como ator infantil, sumiu do mapa e voltou em grande estilo em Pecados Íntimos.Com a peruca, alem de semelhança física monstruosa,você tem a interpretação densa, olhar nos olhos dele é ver um psicopata e uma criança traumatizada ao mesmo tempo.Destaque também pro filho do Snyder fazendo o jovem Kovacs,percebe que ele se divertiu pacas arrancando pedaços das pessoas.


Coruja II (Dan Dreiberg): Ele é o Aaron Eckhart de Watchmen. Explico: a atuação de Patrick Wilson foi tão boa ou melhor de qualquer um no filme, mas pelo personagem não ter tanto destaque no hype dos atores de Comediante e Roscharsch. Passou muito bem a idéia de um ex herói com medo de encarar o fato que precisa ser um vigilante pra ser feliz, alem de todo o lado depressivo bem feito, já que em todo momento ele se demonstra broxado com a vida que tem (em certas horas até demais hehe).



Espectral II(Laurie) Alem de bonita, Markin Akeman me surpreendeu pelo fato da atuação dela ter sido enxuta, já que não são muitos atores de comédia que levam certa credibilidade fazendo papéis sérios (Né Adam Sandler ?). Não é uma Merryl Streep,mas faz seu trabalho bem feito, consegue se mostrar forte apesar da opressão a personagem boa parte do tempo.





Ozymandias Todas as polêmicas dessa adaptação o envolvem, desde do que ele faz ao ator em si.Gay demais? Assexuado? Interpretação ruim? Nesse ultimo ponto eu discordo.Acho que foi uma atuação aceitável.Ozzy foi bem mais frio do que o original, e alguns elementos da personalidade do Capitão Metrópole inseridos nele também.Mas acho que deu credibilidade ao cara, e de que ele realmente poderia fazer tudo aquilo.






Doutor Manhatthan Um ator cara de bunda sempre vai fazer atuações cara de bunda em papéis que condizem com isso. Mas o que acontece quando um ator bom faz um papel que aparentemente é um papel cara de bunda? Corre a chance de fazer uma atuação ruim, como foi o caso do Billy Crudup. Achei mediano pra bom,em relação aos outros.



Coruja I (Hollis Mason) Mesmo só aparecendo em pouca cenas, Stephen McHattie matou a pau como o velho Hollis.Nostálgico e brilhante nas horas certas, o General Arkin cover (pra entender,vejam ele em 2012) também está presente em Under The Hood, onde pode explorar melhor as facetas de seu personagem.Ainda falarei mais sobre ele mais a frente.


Espectral I (Sally Jupiter) Nunca gostei de como Sally ficou mais velha na HQ, em termos de personalidade.Nesse ponto Carla Gugino se deu bem em ter transformado ela em uma espécie de diva decadente, se encaixou bem com a atriz e trouxe algo melhor que o original, pelo menos pra mim.E Jesus, vai ser boa assim na PQP...





O Ultimato, ou a versão definitiva
Bem passados alguns meses após o lançamento do Director’s CUT, foi lançado o Box contendo tudo o que foi lançado até agora, mais a versão definitiva (ou seja,se você comprou tudo antes e vai ter que voltar a comprar por causa da versão estendida,se fode aê!).Em Blu Ray, ocorreu um daqueles chats ao vivo do diretor comentando sobre o filme, e interagindo com o publico rico que pode ter o aparelho em casa (cai uma lagrima no meu rosto...) No geral,temos um filme em seu 100% de funcionamento, do qual será muito melhor aproveitado em casa, no conforto do lar.


Sobre Contos do Cargueiro Negro(que está nessa versão do filme),ajuda muito a pensar sobre as situações que ocorrem aí,principalmente se você não foi familiarizado com o material original.Mas pra quem é “leigo” pode haver um pouco de estranheza inicial, mas depois provavelmente vai perceber que isso vai ajudar a pensar melhor na historia em si e fazer elos com a historia principal,se naquele momento especifico o Cargueiro no caso é o Roscharch ou sua sede de justiça,ou o mundo tentando consumir tudo que há pela frente,citando como exemplo.Sobre o curta do Cargueiro eu já falei sobre ele aqui.

Justiça Encapuzada e Capitão Metrópole são descritos aqui como um casal(se vocês prestarem atenção,vão ver que eles sempre andam juntos,em praticamente todas as cenas em que aparecem).Os fãs já sabiam que eles eram os homossexuais,mas no filme é jogada de forma tão rápida que se piscar perdeu.E a frase que Kovacs investigaria as possíveis tendências gays de Adrian Veidt está presente também nessa versão,mas estanho de não estar naquela que foi aos cinemas.Pra você ver que mesmo com faixa etária 18 anos,muitas coisas (desnecessariamente) cortadas por certos preconceitos dos quais acredito que um filme com essa faixa etária pode mostrar(maldito politicamente correto...)

Há muitas cenas e frases pequenas que aumentam de fato a duração do filme,mas algumas das mais importantes envolvem extensões de situações ou de frases ditas.Você terá muitas cenas envolvendo Roscharch, entre elas uma maior versão do que Walter Kovacs fala para seu “psiquiatra” na prisão(apesar de não ter mais cenas mostrando o passado dele,há mais conversa sobre sua filosofia de vida).Vemos Doc Manhatthan ficando puto ao saber que Laurie deu para o Coruja, entre outros.Entre elas destaco a cena que Hollis Mason morre(da qual você poderá ver aqui, porque o Youtube não permite o embed).Dá um aperto no coração ver ele ser morto,ao mesmo tempo admirado de como a cena, junto com a interpretação de McHattie, deixam a cena muito mais impactante.Você vê vida nos olhos dele,e percebe que ele já está morto mesmo segundos antes de bateram na cabeça dele,quando percebe que tudo que acabou de enfrentar era ilusão.Outra morte que deixa qualquer fã com um sentimento triste no peito é a morte dos Bernies.Você realmente curte eles,e é triste morrerem naquele jeito...

No geral,a versão Ultimate, como é chamada na capa, é bem mais completa, e foi feita para compreender o que é o filme de fato, para todos os públicos, independente de você ser um fã hardcore da obra ou um cara normal não-leitor de HQs.Mas é meio que um jogo duplo,se você for uma das pessoas do grande publico, da qual não teve saco e não gostou da versão vista no cinema,como eu vou gostar da versão do diretor?Bem, o conforto de se estar em casa ajuda bastante,junto com o fato de poder tentar entender o filme de forma mais calma.Sobre os que conhecem as HQs, e como foi dito acima foram idiotas demais pensando que veria tudo completo nos cinemas, essa versão é pra vocês.Mais completo,mais longo,com a maioria dos pingos nos Is a mostra.Mas sobre o resultado como produto final, do ponto de vista do fã, falo mais na frente...

Sobre o "novo" final

O Polêmico final do filme.Sim, é diferente.Sim,não há a a presença da Gloriosa Squid(conhecida como Alien Pussy).Funciona?Não funciona?Permanece com o mesmo sentido?Vejamos abaixo detalhadamente como se sucedeu no filme o ataque:

Ozymandias acha que os heróis podem literalmente salvar o mundo.Ridicularizado pelo Comediante,sua tentativa de reunir um novo grupo de vigilantes é fracassada.

Na segunda metade da década de 70, Ozymandias revela sua identidade ao publico,abandonando a vida de herói mascarado,antes que a greve policial e a lei Keene exploda e torne o vigilantismo ilegal.

Começo das Industrias Veidt,se tornando rapidamente uma das maiores companhias do mundo.Adrian Veidt começa a investir capital em subsidiarias,entre elas energética.

Criado a empresa Pirâmide Transnacionais, ele contrata de propósito pessoas ligadas ao Doutor Manhatthan,do qual as secretamente envenena,parte de seu plano de salvação se inicia.Uma investigação psicológica sobre Jon Osterman se inicia.

A parceria entre Adrian e Doutor Manhatthan começa coma criação de uma imensa bateria a partir dos poderes do Doutor,Enquanto ele cuidava de sua parte em Rockfeller, a parte de Adrian era feita no ártico,no recém criado Karnak.

O governo pede a Edward Blake investigar o que acontece em Karnak, e o que ele descobre o abala profundamente.

Adrian mata O Comediante em sua própria casa(e vá a merda isso não é spoiler!)

Roscharch, mais intrometido que Sonia Abrão em desgraça alheia, começa a investigar o assassinato,e contata os poucos heróis remanescentes para ajudá-lo na empreitada.

Devido ao fato de achar que matou a maioria das pessoas que conheceu na vida por radiação, Manhatthan abandona a terra e vai pra Marte.

Walter Kovacs vai preso,mas Coruja e Espectral voltam a ativa e o libertam.

Laurie vai pra marte com Doc Manhatthan,enquanto Roscharch e Coruja descobrem a verdade sobre o plano de Ozzy.

Veidt manda as “bombas manhatthan” para varias cidades do mundo,as mais importantes no caso.


No fim das conta,qual é o saldo final de tudo?O final funciona? Sim funciona.É melhor que a HQ?Não. Por exemplo, não há razão para Bubastis existir.Mas em certos aspectos é mais completo que o fim original,em especial o fato de ter atacado não só em Nova York, mas em várias cidades, as mais importantes do mundo.Deixou de todos terem com pena dos EUA para todos no mundo se fuderem em igual.E no filme eles ainda dependem de energia poluente.Ou seja, a mesma energia que botou boa parte do mundo a pó também foi responsável pela evolução energética do mundo,abolindo os combustíveis fosseis,e a nova subsidiaria das Empresas Veidt reconstruiu NY e provavelmente outras partes do mundo!Ou seja, Veidt não só como fudeu/salvou o mundo, mas também conseguiu um lucro monstro em cima disso!


Sim,o Squid estava no filme!

E em relação ao Doc Manhatthan e sua reação perante a culpa que o mundo pôs nele , levando a culpa pra o bem maior continuar ativo,pelo menos me lembrou um pouco TDK (fazendo uma comparação com o exemplo mais próximo atual).E a reação do resto,já que deu a entender que o mundo ia partir pra revanche? Bem,digamos que eles perceberam o obvio, que com ele ninguém pode, ou uma mobilização mundial fez que impedisse o ‘suicídio coletivo” que seria confrontá-lo. Como diz o Coruja no fim “ enquanto eles acharem que Jon está nos vigiando tudo estará bem”.Uma sensação que ‘deus nos traiu” no fim das contas pode ter sido substituído por outra, que no fim das contas isso foi uma lição de moral.Que ele se cansou de ser o sustento de toa a situação, aquele que impede que o mundo acabe.Algo como “vocês querem ver o circo pegar fogo,então vou fazê-lo queimar!”. No fim das contas fez que a humanidade percebesse que as guerras não iam levar a nada, então uma movimento pacifico por parte nossa seria a melhor solução.No fim das contas,o final é diferente, mas funcional.Menos completo que o original, que também tem suas falhas,mas funcional.

Pontos Negativos

Vou falar rapidamente sobre o que não gostei no filme:

Knoct Tops, a gangue de rua no filme.Alem de parecerem caras bem mais velhos do que a HQ, não tem o senso badernista caótico, pareceu muito infantil.Matam Hollis Mason por um motivo completamente idiota no filme.

O contexto político fica muito nas entrelinhas, isso eu achei ruim.Claro,Richard Nixon está lá para nos lembrar que o mundo está a beira de um colapso, mas acho que devia estar mais equilibrado a forma que foi mostrado na tela.

Nixon ou Burgess Meredith em Batman? Me parecem a mesma coisa, inclusive na atuação...
A reação do Coruja II a morte de Hollis Mason foi muito boa, mas acho que deveriam ter estendido um pouco mais a cena, pra mostrar mais a fundo o que ele sentiu, mostrar como aquela morte é importante pra ele.Veja ela aqui.

Os extras do DVD
Sim!Apesar de eu ter ‘importado” a versão do diretor dos States, eu dou o exemplo e comprei o DVD duplo nacional e agora falo sobre os extras presentes.

O Fenômeno:o Gibi que mudou a historia:
Conta sobre a historia da gênese de Watchmen,de como a graphic novel foi crida e sua importância,seu lançamento,seu contextos, finalizando com um mini making of sobre o filme.Legal da parte de todos falar que no fim das contas é uma HQ do Moore.Não que ele vá se importar,mas só pra constar.



Super Heróis Verdadeiros:Vigilantes Verdadeiros.
Psicopatas, Cidadões se protegendo do mal das cidades grandes.Possíveis loucos.Fanboys que levam a serio demais a HQ.Vemos pessoas que protegem a cidade como se fossem heróis de verdade, mas no nosso mundo.



Tecnologias de um mundo fantástico: Vemos um físico profissional explicando pelo ponto de vista científico todas as coisas fantásticas que acontecem em Watchmen.Mas nas palavras dele:”Eles sempre vão seguir a HQ no fim das contas.Acho que eles preferem deixar irados os milhões de fãs de Watchmen do que os físicos do mundo...”

Watchmen:11 Arquivos em Vídeo:Os vídeo-diarios lançados ao longo do lançamento do filme estão aqui,completos em HD.

My Chemical Romance- Desolation Row: Banda Emo fazendo Bob Dylan e fãs de boa musica ficarem com raiva,MUITA raiva.


Video viral falando sobre uma década com Doc Manhatthan:


Easter Egg: :A Lei Keene e você


No fim,quem Vigiou os Vigilantes?

Visionário?Bem feito? Uma merda?Como raios podemos definir Watchmen a essa altura do campeonato?O saldo final no geral foi positivo ou negativo? Bem, o que falavam que era infilmavel foi feito.Não há como voltar atrás. Do lançamento do teaser trailer até depois um tempo do lançamento do filme a graphic novel ficou no topo durante quase 1 ano.É muita coisa.Provavelmente muitos leitores de hoje em dia não conheciam a historia,isso aí incluindo os poucos fora do mundo nerd que devem ter comprado também.Lider em dowloads ilegais no torrent na época de lançamento.Ou seja, há um publico interessado ,mesmo que de forma fora da lei (RS) em filmes mais maduros do gênero.De certo modo trouxe uma maturidade recorrente a um gênero que só tem a crescer, que é de adaptações de HQs.Trouxe algo diferente do habitual “filme de origem”. Trouxe sexo, violência e uma linguagem bem mais adulta a um gênero ainda considerado por muitos infantil,o que é triste é verdade.

Mas meu ponto de vista? Watchmen, como filme, não pode ser avaliado pela versão que você viu no cinema.Se você acha que o filme é só aquilo, está se enganando desde o começo.De uma chance verão estendida. Porque no fim das contas filmes de HQ não são copias dos mesmo. São ADAPTAÇÕES. No final, se tiver a casca, mas não o contudo,não adianta.E alem diso, sempre teremos a revista original, que nuncavai nos decepcionar...
É tudo mano,mano! Snyder e Moore: Enganando nerds trouxas pelo mundo inteiro ...

Mas o principal fator que atrapalha um pouco o fato de ver o filme como um filme é Allan Moore.Explico: todos nos sabemos que ele não gosta de ver suas obras adaptadas para outras mídias.Se acontecesse coisas como Do Inferno e LXG também ficaria traumatizado, MUITO traumatizado. Mas o ponto é o seguinte: 50% do que ele fala em relação a esse assunto ele está completamente certo,mas 50% do que ele diz é puro exagero.Foi um filme visto pelo fãs e construído em cima do medo.Medo que não fosse bom.Medo que perdesse todo o simbolismos.Medo que cagassem tudo.Que não fosse fiel e ficasse descaracterizado, e que lucrasse com isso.E que tivesse uma sequência.A maioria não o viu como um filme, mas como uma bomba relógio, saca?
O homem mais intelignte do mundo e sua utopia

De certa forma Snyder poderia ter feito um filme de 7 horas,só com slow-motion.Mas não,ele pos cenas de ação rápidas, colocou Contos do Cargueiro Negro(coisa do qual só Paul Greengrass quis fazer, acho,e o resto não), deu um foco completo historia, apesar das mudanças finais.Mas acima de tudo,o grande publico estava preparado para um filme desse estilo,com uma narrativa mais lenta em relação a outros filmes do tipo? O fãs também estavam prontos pra aceitar numa boa que sim, pode haver uma transição de mídia em relação a historia? Se fosse lançado com as mudanças de roteiro das outras versões (principalmente dos primeiros scripts), valeria a pena um provável sucesso, mesmo com uma descaracterização bem maior?
Aqui pra você ó!

No fim das contas posso dizer que o saldo é positivo.Mas não vou colocar uma arma na sua cabeça e pedir que você ame o filme, essa é a minha opinião como fã de HQs e da historia original.Como critico digo que para todos entendam o filme de fato precisa de algo chamado tempo.Não uma, duas semanas,ma talvez leve anos pra entendermos de fato o que aconteceu foi bom ou ruim.Até lá assistam o filme,mas de cabeça limpa, nem esperando o melhor nem o pior. Apenas fique de olho,pois o preço da liberdade é a eterna vigilância...

Nota do filme no cinema:8,0
Nota da versão Ultimate: 9,0
Extras do DVD:8,5