Mostrando postagens com marcador peter jackson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador peter jackson. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Review: As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne


Bem, depois de meses de atraso em relação a estreia europeia(só foi sair nos Estados Unidos no natal), finalmente o Tintin aterrissa em terras brasileiras, vamos ver como ficou o resultado?

Juntando as historias de "O Segredo do Licorne" com "de Rackham o Terrível", vemos Tintin (Jamie Bell) comprar a maquete do lendário navio chamado 'O Licorne', e a partir daí ser seguido pelo misterioso Mr. Sakharine (Daniel Craig), que quer de qualquer maneira a réplica do navio.Investigando mais sobre a história envolvendo a embarcação, Tintin descobre que dentro dele continha uma infinidade de tesouros, que foram enterrados no fundo do mar junto com o navio quando piratas o atacaram.Agora,a única esperança de desvendar o mistério antes que seja tarde demais está nas mãos do capitão Haddock (Andy Serkis), que tem que enfrentar seus propríos problemas caso queira não só recuperar o tesouro mas sua própria vontade de viver.


Quando saiu Indiana Jones e o Aventureiros da Arca Perdida, alguns críticos de cinema europeus encontraram certas similaridades com um personagem de quadrinhos chamado Tintin.Spielberg não conhecia o personagem, então pegou as histórias do personagem pra ler, em francês mesmo. Aí o diretor se apaixonou pelo personagem. A alguns anos atrás, ele decidiu ver o sonho do filme de um seu seus personagens favoritos ser realizados, e chamou ninguém menos do que os fãs e geniais cineastas Peter Jackson (para ajudar na direção e produção) e Edgar White (para ajudar no roteiro,junto com Steven Moffat e Joe Cornish) para ajudar a trazer o personagem para as telas recentemente.


Apesar de não ser profundo conhecedor do personagem,,conheço o suficiente para poder curtir o filme.E mesmo que você não o conheça, você vai ser conquistado pelo filme e pelos personagens.Tanto Tintin quanto Milo estão muito bem representados, enquanto Nick Frost e Simon Pegg se destacam pela parte "O Gordo e o Magro" do filme, sendo um ótimo alivio cômico.Mas quem se destaca novamente é Andy Serkis. "O Segredo de Licorne" é basicamente um filme do Capitão Haddock, sobre ele encontrando o que faz ser um Capitão de verdade, o que faz ter caratér e reconhecer que a verdadeira felicidade não está na ilusão de uma garrafa de bebida, mas sim no prazer de viver e de curtir uma aventura.Daniel Craig está quase irreconhecivel no filme, tanto na voz quanto na postura, mas francamente isso pro ator é ótimo para ter mais liberdades com o personagem.


As cenas de ação são um crescendo de pura adrenalina e as melhores sequências do tipo que eu vi este ano.A cena do Licorne foi melhor que o ultimo Piratas do Caribe inteiro e a insana sequência de ação no Marrocos que certamente é uma das melhores coisas que já vi o Spielberg fazer em toda sua carreira, e uma das melhores perseguições da história provavelmente.Destaque também para a belíssima abertura e a participação de Hergé que farão os fãs ficarem com lágrimas nos olhos.


Em termos de 3D, Spielberg não estava brincando que se sentia um pintor trabalhando com este ferramenta e o Motion Capture.Cada cena do filme não foi planejada do nada, está ali para aproveitar ao máximo o que a ferramenta pode oferecer, mas sem se tornar escravo dela,e sim aproveitando do que ela pode oferecer para enriquecer ainda mais o filme.Os visuais dos personagens, altamente estilizados por causa das técnicas de MO CAPs, mantém próximo ao que Herge fez mas sem parecer caricato demais, e bastante verossímil.


Em termos de filme em si, a trama de desenrola bem parecida com uma história de quadrinhos, trazendo rápidas, porém eficientes informações sobre Tintin e sobre o que ele faz.Aos poucos os outros personagens chegam e a partir do segundo ato Haddock comanda o filme, e todo desenrolar da história depende como Haddock e Tintin se relacionam.Ou seja, de maneira simples, mas MUITO eficaz, Spielberg mostrou ali aquilo tudo que Indiana Jones 4 poderia ser ( e olha que sou fã deste filme) e não foi, e certamente junto com First Class se torna o melhor filme de HQ de 2011.Esperando ansiosamente pela próxima aventura!


NOTA:9.0

PS: Leiam uma matéria bacana e explicativa sobre o personagem feito pelo mano Cristiano no Rais Fonorgrei!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Distrito 9

Ainda há esperança, amigos.

Como Hollywood vive atualmente uma fase sem criatividade tremenda, se perfazendo em cima de remakes inúteis e filme com muitos efeitos, mas com pouca historia, é ótimo ver que ainda dá pra burlar o jeito mais fácil, e trazer algo realmente original. Ver Distrito 9 não é apenas um deleite para os olhos, mas trás todos os elementos que tornam um historia de ficção cientifica clássicas e boas. Alem de fazer divertir, nos faz pensar, refletir como vivemos, como agimos com nossos semelhantes ou com quem é diferente da gente.

A historia é sobre uma nave alienígena que pousa do nada em Joanesburgo, África do Sul, e ela fica parada, sem fazer nada e pedaços dela caem. Obviamente um contato humano era esperado, e os “camarões”, como são perjuramente chamados, estavam em um estado deplorável. Sem comer, beber e desesperados tentando concertar o veiculo, eles descem a terra e começam a se “divertir” destruindo tudo que vê pela frente. Com a revolta da população sobre o caso, a MNU, uma mega-corporação, monta o Distrito 9, onde coloca os aliens em uma espécie de mega favela. E meio que vira um reflexo das periferias da África do Sul, com seus traficantes supersticiosos, vivendo em lixões, viciados em comida de gato (isso é que nem drogas pra gente) e agindo e falando como humanos. No meio disso tudo temos Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley, ótimo no papel), que é marido da filha do chefe da MNU, consegue o emprego de fiscal do D9, tendo que despejar os moradores para um “melhor” alojamento, que no caso seria do Distrito 10, distante do centro da cidade onde D9 se localiza.

Durante o aviso de despejo, ele encontra um alien (chamado Christopher) que na verdade está secretamente tentando voltar pra casa, fazendo o combustível da peça que caiu no começo do filme,(que na verdade é um veiculo). Wikus acaba infectado pelo combustível e aos poucos começa a virar um camarão. Ele é levado ao prédio da MNU, onde descobre os segredos sujos de seus patrões (eles querem aprender a usar as armas dos camarões, mas só é compatível com o DNA deles, entre outras coisas). Sendo caçado pelo pais inteiro, e tendo que ajudar o Christopher a voltar pra casa e ainda por cima tentar se curar, ele não vê outra solução a não ser se esconder no D9.

Preconceito. De certo modo é a palavra do filme. Mostra o quanto o ser humano pode ser mesquinho, frio, calculista. A gente podia aprender muito com eles, mas preferimos enjaulá-los e submeter o nosso estilo de vida, chamá-los de diferentes. Um dos grandes triunfos de D9 é esse: nós somos os vilões. Nós somos filhos da puta o bastante de fazer o que fazemos pensando que somos superiores, por acharmos que sabemos de tudo, que só nos podemos descobrir a verdade. De certa maneira, o diretor Neill Blomkamp pega elementos do qual o sci-fi e as historias modernas trabalham e colocou em um contexto social. Temos a mega-empresa do mal, visto em vários filmes como Syriana, Speed Racer e Michael Clayton. Temos a tomada hostil de uma cultura como será mostrado em Avatar do James Cameron (mesmo que no filme seja meio ao contrario essa “tomada”). Temos um encontro/choque de culturas clássico. É aquilo que de simples fica muito bom, de pequeno fica grande. Começa como um documentário, mostrando vários pontos de vista, de quem trabalha da MNU, de estudiosos, do povo, de quem estuda sobre o caso.

E aos poucos ele começa a se focar em Wilko, e no terceiro ato vira um filme de ação de fato, o que pode incomodar algumas pessoas que queriam ver o estilo documental por todo o filme (mesmo que de certo modo ele esteja). O pau come na casa de Noema tenso, quando a tropa de elite da MNU cerca Wilko e Christopher e a tentativa de levar o(s) alien(s) de volta para casa. O estilo da cena final é bem realista, tem suas explosões, emboscadas, mas nada no naipe Michael Bay da vida. Tudo muito bem feito, prum filme de 37 milhões (que não é exatamente uma grande quantia pros padrões Hollywoodianos). Uma outra reclamação que eu ouvi do publico, pelo menos, é a forma que ele virou alien. Ok, é um liquido alienígena, mas realmente tem um efeito tão potente ao ponto de ele ter essa transformação? Acredito que tenha um pouco do DNA deles por ali, mas por enquanto é só teoria. E de certo modo certas ações do Wilko são coisas de idiota, como ligar pra mulher dele, do qual o pai é o patrão de MNU e está caçando ele por todo o lugar :s. Mas ok,faz parte do desenvolvimento do personagem, então deixe.
Um ótimo sci-fi surge do nada no verão americano, com coragem e criatividade, D9 não pode ser um filme maximo do gênero dessa década, mas mostra que ainda resta alguma esperança em termos de criatividade em tempos que a imaginação é presa por técnicas mais “confortáveis” de se fazer filmes.

Nota 9

Publicado originalmente em: http://www.uarevaa.com/2009/10/distrito-9.html